Conversei bastante com o meu amigo Jow nos últimos dias. Aparentemente estávamos ambos passando por uma fase meio trash. Eu, em especial, estava saindo de um relacionamento longo com uma menina de quem sempre gostei muito. Já não andava nos meus dias mais equilibrados antes disso ocorrer, e acabei fazendo algumas coisas do tipo que não se vê na novela das sete. Pra completar o quadro, briguei feio em casa e tive que vir morar com o meu pai (são divorciados, os meus pais). Minha mãe, sempre exausta, e sempre preocupada com tudo e com todo mundo - principalmente comigo -, resolveu não aguentar mais o estresse e tirou umas férias de mim, pra se recompor do desgaste que vinha sofrendo e não surtar feio. Teve realmente seus motivos, afinal, eu às vezes sou uma presença meio... ruidosa.
Acontece que eu já estava num momento um tanto quanto doído e foi bem desagradável não encontrar o apoio que desejava naquela hora. Ninguém da minha família vai sequer pensar em colocar nestas palavras, mas desconfio que fui elegantemente expulso de casa. Sei que tem um pouco de exagero nisso, mas fico me achando meio indesejado, não é de hoje. Sou uma espécie de filho-peteca: vou sendo revezado de um lado pro outro de tempos em tempos, conforme a conveniência.
O fato é que, conversando com o Jow sobre as situações cagadas que já nos aconteceram e sobre as besteiras homéricas que já cometemos, e tirando sarro de tudo isso, de repente me toquei que o mais importante de tudo é que a gente se diverte pra caralho, mesmo em momentos meio sombrios da vida. Mesmo sangrando por dentro.
Acho mesmo que estou começando um momento precioso da minha existência.
Acho mesmo que estou começando um momento precioso da minha existência.
Mesmo sangrando por dentro.
Falando em momento, tive um tão singelo e tão bonito na manhã do último sábado que parece que me lembrei de uma felicidade meio esquecida. Fiquei contente demais. Só não rola contar, porque é meio pessoal demais.
Tive também umas outras alegrias recentemente. Na semana anterior a esta última encontrei não só o Jow mas também o Fred. Deus do céu, como se fala besteira com os amigos... Nunca ri tanto. Você coloca três mongol numa mesinha de shopping, num final de semestre meio árido, meio arrastado, e xablau! Parece que todos são humoristas de stand-up diplomados.
Diante disso tudo, sou realmente levado a acreditar que não sou tão extraterrestre quanto me sinto quando as pessoas cochicham sobre o meu comportamento, que fazer besteira é aprendizado, e que as minhas dores, aparentemente exageradas, são coisas da alma humana. Acho que quem não passa por esses momentos trashs da vida, e se orgulha muito da sua reputação com cheiro de alvejante de embalagem cor-de-rosa, geralmente são pessoas que não vivem. Que atravessam uma interminável fase de latência existencial e que não vão ter estórias legais pra contar pros próprios filhos no dia da macarronada.
Com todos os meus problemas, eu me sinto feliz. Não queria ter tido outra mãe, outro pai, nem nada do tipo. Nem queria uma história que não me permitisse ter descoberto as muitas paixões que hoje me movem.
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