domingo, 24 de junho de 2012

"De minha alma para sua alma"


Esta conversa tem lugar em uma gruta escura, parcialmente iluminada por uma pequena fogueira crepitante.

O mestre mira o jovem discípulo. As longas barbas daquele, bem como seu ar majestoso de ancião, não bastam para ofuscar o brilho jovial, até infantil, dos seus olhos. No entanto, é com seriedade que ele se dirige ao aprendiz:
- Você, filho do Ar, deve administrar sua natureza com cuidado, para que ela não se torne um mal perigoso para você. A ignorância de seu potencial faz com que suas energias se percam e fluam de maneira pouco proveitosa.
- Como assim? - pergunta o rapaz. É um garoto com ar inocente e, neste momento, curioso - Não entendo como meu próprio potencial possa ser perigoso sem que eu ao menos lhe conceda alguma atenção.
- Ora, você está vivo, rapaz, e o tempo não deixará de transcorrer só porque você está desatento a ele. Seu potencial não está congelado enquanto você é inconsciente a respeito dele. É como um barco a navegar na água: se deixá-lo sem governo, o Vento não deixará de soprar-lhe as velas.
- Mas não poderei garantir onde vou parar, certo?
- E nem a velocidade com que viajará. É preciso canalizar seus poderes, jovem rapaz, para que eles não o conduzam por caminhos indesejados.
- Mas, como posso dominar algo tão sutil e invisível, Mestre?
- Há muitas etapas. Medite em sua respiração o máximo possível. Após se alinhar com ela, passe a controlar seus passeios mentais - o vento que lhe entra pelas narinas conduz o barco. Assim, evitará ser levado descontroladamente a locais inóspitos ao espírito. Dançar com os pensamentos faz parte da tarefa de quem se propõe a dançar com o Ar, jovem.
- Parece-me confusa essa relação...
- É mesmo? E como se chama, em sua terra, ao garoto que facilmente se dispersa?
- Aéreo... Chegam a dizer que vive nas nuvens.
- Exato. Mas no entanto é preciso manter os pés enraizados no chão, para não se perder nas nuvens dessa forma.
O garoto parece constrangido:
- Sabe, Mestre, tenho grande dificuldade para isso.
- Faz muito sentido. Pense bem: você passou boa parte de sua vida inconsciente das suas faculdades, e elas se voltaram a você, em alguns momentos, como prejuízo.
O mestre aponta com a cabeça para a fogueira ao lado deles, e o discípulo dirige o olhar para ela, contemplando as chamas em sua agitação ondulada.
- O Fogo sagrado, de poder interminável e ação purificadora, se deixado de lado por uma atitude desatenta, pode vir a queimar seu lar, e tudo a sua volta. Você, filho do Ar, se não conhece sua própria natureza, tende a perder-se nas nuvens, ou sufocar a si próprio.
O rapaz já parece mais confortável:
- Entendo... - balança a cabeça devagar - Agora eu entendo. Mas, o que mais posso fazer para mudar essa situação?
- Por ora, há mais um passo inicial importante. É preciso que você exerça constantemente sua criatividade. Dê asas à sua imaginação, para que ela possa ser embalada pelo vento que lhe corre por dentro.
- Pensei que a imaginação fosse feita de ilusões, Mestre.
- Não necessariamente. Esse pensamento tira-lhe as forças, jovem! Veja, você é filho do Ar. Dentro de você, existe a força que anima! Se deixar seu vento soprar, no exercício criativo, ele dará vida a coisas belas e você se sentirá mais leve, aliviado. Essa é a primeira e mais fundamental das mágicas que você dominará. Se, no entanto, você guardar todo esse sopro vital em seu interior, ele se acumulará, e você será engolido pelo vendaval subsequente.
Novamente o jovem balança a cabeça em entendimento. Faz-se um breve silêncio enquanto o aprendiz sente o ar entrar por suas narinas, encher seu corpo e então deixá-lo esvaziar-se.
- Mestre, mal posso esperar para colocar em prática estes ensinamentos.
- Fico muito feliz em ouvi-lo dizer isso. Mas lembre-se: disciplina e atenção serão suas pernas nessa jornada. Para o que puder, estarei ao seu lado.

O fogo já começa a cessar.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Brincando no Paint







É, eu não tinha mesmo o que fazer... A internet da Puc tinha caído e eu tinha que ficar lá por mais uma hora. Aí abri o Paint e fiz essa árvore na base do spray, como se fosse o começo de uma historinha em quadrinhos. Daí empolguei e deixei pra acabar em casa, mas não tive muito capricho nem criatividade. Além disso, o Paint do meu pc é diferente, e eu acabei usando outras ferramentas. Se alguém quiser sugerir uma continuação interessante pra essa página, ficarei feliz em desenhá-la. Mas a princípio foi só um exercício bobo que eu quis postar, ok? Tenho outro desenho do paint aqui, mas é extremamente porco e não tive coragem de publicá-lo. E é isso aí.

Aquele abraço.

... Alías, tô querendo muito desenhar um quadrinho de verdade, com papel e lápis mesmo, se alguém quiser brincar de roteirista, pode brincar comigo.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Flores e falos


A vida vem,
a vida venta e vendavai
Ar voraz brotam devagar
Flores e falos em valsa,
colorindo o amor.
Vibram, jorram guarda chuva ao céu

onde os anjos sondam
as almas que se pensam mortais,
num silêncio solene
ondulam suaves os anjos em eterna paz,
sussurrando palavras sábias
aos aos ouvidos e às narinas atentos.




...



É, não sei se isso tem alguma qualidade poética, mas eu gostei, falou?