O pinto que é pinto não é só pinto.
Ele é com o corpo.
Não paira o pinto no espaço, como um cometa triste.
Não é pau pra dar paulada.
Também não é o pinto espada - ele não corta!
É um cogumelo viril que brota!
É um pinto alegre, que nos sorri sem boca.
É uma festa, um monumento em torno do qual o corpo dança.
É o playground de tanta criança.
É, quando muito, serpente majestosa:
não morde: mordisca
assim como quem dá uma beijoca ou duas.
Assim é o pinto...
Sempre junto do saco, seu fiel mochileiro,
ele repousa entre os arbustos de uma relva pubiana,
sem se importar com opiniões flácidas a seu respeito,
sempre pronto a inflar-se de novo ânimo ao pintar
um par de pernas passeando perto.
O pinto que é pinto ama, não come.
É vegetariano.
E também músico!
Rege uma sinfonia extensa de gemidos úmidos e suspiros calorosos,
encerrando-a, se preciso, numa apoteose de notas gotejantes.
O pinto que é pinto, pinta em borda, em bordas que são lábios. Se ao ler Drummond você se inspirou escreveu essa profunda reflexão sobre o pinto, imagina o que sairá quando ler Bukowski. Está muito bem escrito, gostei!
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